Seu navegador não suporta java script, alguns recursos estarão limitados. Debates sobre igualdade de gênero marcam segundo dia de conferência, em São Paulo - Conselho Nacional do Ministério Público
CNMP
Publicado em 9/6/19, às 17h05.

Conferencia 007União, sororidade e coragem. Esses foram alguns dos sentimentos descritos no último dia da 4ª Conferência Regional das Procuradoras e Promotoras de Justiça da Região Sudeste, na tarde deste sábado, 8 de junho, na capital paulista.

Em painel temático, conduzido pela presidente do CNMP, Raquel Dodge, integrantes de Ministérios Públicos estaduais da região Sudeste e especialista portuguesa em direitos humanos compartilharam percepções sobre equidade de gênero e dificuldades que passaram ao longo da carreira.

Primeira a falar, a promotora de Justiça do Ministério Público (MP) do Rio de Janeiro Eliane de Lima Pereira confidenciou preconceitos e experiências machistas que vivenciou desde o início da carreira. “Não quero que aconteça com minhas filhas e com todas essas meninas o que aconteceu comigo”, enfatizou. Com inquietude, questionou que até hoje seu MP não teve nenhuma procuradora-geral de Justiça mulher. Além disso, enfatizou as dificuldades e preconceitos a que são submetidas mulheres negras no país, revelando que somente a partir da convivência com uma colega negra é que pôde “entender os privilégios de sua branquitude”. “É preciso ter coragem para avançarmos”, afirmou.

Já a especialista portuguesa Lígia Afonso, designada pela União Europeia, fez uma reflexão acerca dos conceitos e arquétipos que permeiam as palavras feminização e feminismo. Segundo a expositora internacional, é comum que o termo feminismo esteja associado a ideia de que mulheres querem atingir superioridade em relação aos homens. “Além disso, para uns, a palavra está associada à simples conquista de direitos das mulheres. Já para outros, o feminismo está enquadrado num movimento político de superação de diferentes formas de opressão”, destacou. E disse que o espaço de diálogo permite criar uma relação de confiança, permitindo o aperfeiçoamento do exercício da função ministerial.

A procuradora de Justiça do MP do Espírito Santo Catarina Cecin Gazele também compartilhou um pouco de sua história. Primeira procuradora-geral de Justiça da região Sudeste, em 2006, Catarina contou que passou por muitos obstáculos até ocupar a posição de comando. “Mas eu não desisti”, disse. E destacou a importância da sororidade para o alcance da equidade de gênero no MP: “É preciso que mulher vote em mulher, caso contrário, não conseguiremos avançar”.

Também participou do painel a procuradora de Justiça e corregedora-geral do MP de São Paulo Tereza Cristina Maldonado. Ela observou que a desigualdade de gênero é decorrente de amarras culturais e históricas e ponderou que na busca por igualdade, a educação é fundamental. “Será que não reproduzimos os estereótipos em nossas crianças? Precisamos lidar com a questão da equidade, cuidando também da educação dentro e fora de casa. Precisamos de mais escolas públicas e de maior participação dos pais”, destacou.

Já a promotora de Justiça do MP de Minas Gerais Daniela Yokoyama, além de ter compartilhado duras experiências a que se submeteu na qualidade de mulher, fez uma exposição teórica sobre os pilares das relações de poder. “Lutar pela equidade de gênero é lutar contra um dos pilares do poder autoritário e patriarcal”, ressaltou. Para tanto, Yokoyama salientou que é preciso ocorrer uma mudança de paradigma, afim de tornar homens e mulheres corresponsáveis. “Espero que consigamos conquistar uma liderança compartilhada. Como em uma constelação: cada um com sua luz própria. Queremos construir junto com eles”, concluiu.

Por fim, Dodge agradeceu as colocações e contribuições das painelistas, ressaltando como cada palavra permitiu ampliar as reflexões. “Esse painel visava justamente provocar essa inquietação em nós”, afirmou. “Ressalto, ainda, que o processo de expansão das mulheres começou com o movimento sufragista, desde o início do Século XX. Mas esse movimento não se completou ainda no Brasil. As mulheres, de fato, não lutam mais por direitos civis ou políticos. Mas o que queremos é lutar por direitos humanos igualitários”, concluiu.


Conferencia 006Plenária - Ao final da tarde de sábado, 7 de junho, as propostas desenvolvidas nas oficinas temáticas foram deliberadas pelas conferencistas. As proposituras têm como objetivo promover maior equidade de gênero no âmbito do Ministério Público. Também foram aprovadas sugestões de medidas para a inclusão de mulheres negras no ingresso da carreira do MP. No total, 33 propostas foram aprovadas.

Fotos: Filipe Nunes/UE

Secretaria de Comunicação Social
Conselho Nacional do Ministério Público
Fone: (61) 3315-9424
jornalismo@cnmp.mp.br 
Twitter: cnmp_oficial
Facebook: cnmpoficial