Seu navegador não suporta java script, alguns recursos estarão limitados. "Não podemos nos calar", diz Elza Soares em roda de conversa sobre equidade de gênero promovida pelo CNMP - Conselho Nacional do Ministério Público
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Publicado em 8/6/19, às 12h16.

Conferncia 002“Eu tinha tudo para não dar certo: mulher, negra, pobre e com sonhos absurdos”. A declaração é de Elza Soares, cantora, compositora e com 82 álbuns de música lançados ao longo da carreira. Com uma história de vida difícil e cheia de obstáculos, Elza compartilhou como superou dores e dificuldades, emocionando integrantes do Ministério Público na 4ª Conferência Regional de Promotoras e Procuradoras de Justiça da Região Sudeste, em São Paulo. Ela foi a convidada especial do encontro, realizado nesta sexta-feira, 7 de junho, na capital paulista.

Atração surpresa da Conferência, Elza surpreendeu procuradoras e promotoras de Justiça com sua história de vida marcada por superação e coragem. “Tive uma coisa que sempre esteve ao meu lado: a coragem. Sempre fui audaciosa. Eu quero, então vou buscar. Desde que não prejudique ninguém”. De família humilde, sua mãe era lavadeira e o pai operário. Quando indagada qual foi a maior barreira que enfrentou na vida, ela foi enfática: “Ser negra. A cor da pele fala muito.”

Conduzida pela presidente do CNMP e procuradora-geral da República, Raquel Dodge, a roda de conversa foi marcada por sentimentos de admiração, sororidade e muita emoção. Quando questionada em como as mulheres podem romper o ciclo de violência e opressão no país, ela declarou: “Não podemos nos calar. Temos que denunciar. Temos que tirar o medo das mulheres. E precisamos ecoar nossas vozes para mais longe”.

Conferncia 004Entre alguns trechos cantarolados e salvas de palmas, a cantora contou como foi zombada no show de calouros de Ary Barroso, no início da carreira. “Eu parecia uma bruxinha, por causa do vestido que usava. Ele me perguntou de que planeta eu vinha. E eu disse: do planeta fome”. Após se apresentar, foi ovacionada pela plateia. “Ganhei nota cinco, cantei chorando e sentindo o gosto da lágrima”, revelou.

Raquel Dodge agradeceu a presença da artista e, em nome de todas, declarou sua profunda admiração. “Não é só uma voz rouca e poderosa, mas também é uma pessoa corajosa. Que emociona e que não tem medo de dizer o que pensa”. A presidente enalteceu a cantora por ter rompido o ciclo de opressão e de discriminação em sua vida. “Elza assumiu seu lugar no mundo porque ela resolveu ser o que sempre quis ser. Eu espero que existam muitas escolas públicas Elza Soares”, afirmou.

Na oportunidade, Dodge convidou Elza e todas as participantes a conhecerem o Jardim das Camélias, inaugurado em 13 de maio, na sede da Procuradoria-Geral da República, em Brasília-DF. Os abolicionistas, em 1888, adotaram as camélias como sua flor símbolo, plantando-as na porta de suas casas, como uma espécie de código por meio do qual eles podiam ser identificados. “Plantamos as camélias no jardim da PGR para que tivéssemos o compromisso de lutar por liberdade, contra a opressão, por democracia”, explicou.

Por fim, Elza agradeceu a todas, sendo ovacionada em seguida. “Quero dizer da minha satisfação e alegria em ver as mulheres unidas. Eu poderia dizer que não preciso de mais nada. Continuemos assim, unidas”, declarou.

Também participaram da roda de conversa, no palco, a secretária de Direitos Humanos e Defesa Coletiva do CNMP, Ivana Farina; a representante da Delegação da União Europeia no Brasil, Maria Rosa Sabbatelli; a promotora de Justiça do MP/BA Lívia Sant’Ana Vaz, e a deputada federal Soraya Santos.

Painel com depoimentos – A questão racial combinada com a de gênero também foi tema de um painel, realizado na tarde de sexta-feira, 7 de junho, com depoimentos de promotoras e procuradoras de Justiça que participaram das edições anteriores da Conferência.

Conferncia 005A promotora de Justiça do MPBA Lívia Maria Sant’Anna Vaz; a procuradora-geral de Justiça do MPBA, Ediene Lousado; a promotora de Justiça do MPDFT Liz-Elainne Mendes e a promotora de Justiça do MPAM Silvia Abdala Tuma compartilharam suas percepções e convidaram as participantes a refletirem sobre os desafios da igualdade de gênero, e sobretudo, sobre a intersecção com a questão de raça.

“Ao longo das edições anteriores, fomos aprendendo a introduzir questões novas. A riqueza desse projeto é adensar nossa reflexão conjunta”, afirmou Raquel Dodge, ao conduzir o momento. A presidente do CNMP explicou que, a partir dos depoimentos de Livia Sant’Anna e de Ediene Lousado sobre os desafios da inclusão social da mulher negra no âmbito do Ministério Público, trouxe a questão para ser debatida para a 4ª Conferência, em São Paulo. “Alteramos o edital da Conferência, incluindo a questão de raça. Para que com clareza possamos discutir essa interseccionalidade”, afirmou.

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