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banner noticiaA ADPF 635 (“Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental”) foi proposta em 2019 pelo PSB, com apoio de ONGs e movimentos sociais, para enfrentar a excessiva letalidade da atuação policial no Estado do Rio de Janeiro.

Seu chamado popular é “ADPF das Favelas” pois se concentra nas operações em comunidades vulneráveis, especialmente favelas, afetadas por conflitos policiais frequentes. 


Principais pedidos e medidas requeridas

A ação pede que o STF reconheça violações sistemáticas de direitos fundamentais e determine ao Estado do RJ uma série de medidas, entre elas:

  • Plano de redução da letalidade policial
    Com medidas objetivas, cronograma e previsão de recursos para implementação.
  • Maior transparência e controle social
    Participação da sociedade civil nos acompanhamentos; controle externo das operações; perícia independente; divulgação de dados sobre mortes em operações policiais.
  • Restrições no uso de determinados equipamentos / práticas
    Uso de blindados, helicópteros, drones, armas pesadas etc., apenas em circunstâncias justificadas; protocolos especiais; restrições para operações próximas a creches, escolas, unidades de saúde.
  • Proteção especial em contextos excepcionais
    Por exemplo, durante a pandemia COVID-19, que haja justificativas e comunicação das operações ao Ministério Público quando for necessário agir.

Decisão do STF e efeitos concretos

  • Em 2020, o STF deferiu liminares cautelares que já impuseram restrições imediatas às operações policiais no RJ, exigindo comunicação ao Ministério Público, justificativas para operações em comunidades, e cuidados especiais durante a pandemia.
  • Em abril de 2025, houve julgamento de mérito que homologou parcialmente plano do Estado do Rio para redução da letalidade policial, com algumas medidas adotadas, e o STF determinou complementações.

O que foi mantido e o que mudou

  • Mantidos: obrigação de plano de redução da letalidade; uso de câmeras em uniformes e viaturas; GPS; presença de ambulância em operações planejadas; dados e indicadores de uso excessivo de força.
  • Mudanças em relação ao que era pedido ou determinado provisoriamente:
    • Alguns protocolos mais rígidos para uso de helicópteros, operações próximas de escolas/ hospitais etc., foram suavizados ou alterados.
    • A perícia independente como proposta acabou não sendo incorporada como inicialmente desejado; controle externo acabou ficando com configurações que dependem de órgãos do Estado ou do Ministério Público. 

Situação atual e implicações práticas

  • O Estado do Rio de Janeiro já apresentou um plano, parcialmente homologado. STF determinou complementações.
  • O Ministério Público tem papel ativo no monitoramento do cumprimento das medidas.
  • Ainda há muita mobilização de sociedade civil para garantir que o que foi decidido saia do papel.