
Nesta quarta-feira, 26 de junho, em Brasília, o presidente da Comissão da Saúde (CS) do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), conselheiro Jayme de Oliveira, apresentou o “Estudo sobre a consciência vacinal no Brasil” ao Conselho Nacional de Secretarias municipais de Saúde (Conasems), ao Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass) e ao Ministério da Saúde, os três órgãos responsáveis pela gestão da saúde pública no país.
A publicação é resultado do termo de adesão da Universidade Santo Amaro (Unisa) ao Pacto Nacional pela Consciência Vacinal e foi desenvolvida pelo Instituto de Pesquisas Sociais, Políticas e Econômicas (Ipespe). A pesquisa consiste em um estudo sobre a consciência vacinal no Brasil, buscando identificar percepções, desafios e oportunidades para o aumento da adesão às vacinas do Plano Nacional de Imunizações (PNI).
Durante a apresentação dos pontos principais do estudo ao Conass (foto acima), o conselheiro Jayme de Oliveira, cujo mandato se encerra nesta sexta-feira, 28, fez uma contextualização das adesões ao Pacto Nacional pela Consciência Vacinal e anunciou que, além dos 18 governadores, há previsão de os estados de São Paulo e do Rio de Janeiro aderirem à iniciativa no próximo mês.
Oliveira ressaltou que, “num país ideologicamente dividido como o que a gente tem vivido nos últimos anos, não tive nenhuma dificuldade, pois fui a estados governados pela esquerda, pela direita, de centro, de centro-esquerda e de centro-direita e, em todos, indistintamente, a adesão foi imediata, não houve nenhuma recusa. Se não fui a outros estados, é porque não houve tempo de se construir uma agenda. Isso me dá o conforto de saber que, para além dos discursos políticos, existe uma consciência aberta e sensível às questões da saúde".
O presidente do Conass, Fábio Baccheretti, afirmou que o conselheiro Jayme “foi protagonista e fundamental no processo de sensibilização sobre a importância da vacinação e num momento crítico, quando a discussão antivacina cresceu".
O secretário executivo do Conass, Jurandi Frutuoso, agradeceu o compromisso do conselheiro Jayme e do membro auxiliar da
Comissão da Saúde e promotor de Justiça do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios, Jairo Bisol, por escolherem “um tema sensível para o Brasil e no momento em que estávamos no pico do negacionismo. Jayme, Bisol e o CNMP tiveram acesso a espaços que a gente não teria, e tiveram a capacidade de convencimento que não teríamos. A pesquisa mostra, por um lado, o descaminho da vacinação e, por outro, aponta os caminhos pelos quais os problemas devem ser enfrentados”.
No Conasems, o conselheiro Jayme foi recebido pelo presidente, Hisham Mohamad Hamida.

A reunião no Ministério da Saúde ocorreu na Secretaria de Vigilância em Saúde e foi conduzida pela secretária, Ethel Maciel.
Nos três compromissos desta quarta-feira, o conselheiro esteve acompanhado do membro auxiliar da CS, Jairo Bisol.
Estudo sobre a consciência vacinal no Brasil
O “Estudo sobre a consciência vacinal no Brasil”, realizado pelo CNMP em conjunto com a Universidade Santo Amaro (Unisa), foi lançado em 5 de junho. O levantamento trouxe respostas sobre o entendimento dos entrevistados em relação à segurança e eficácia das vacinas, além de posicionamento quanto aos benefícios, riscos, medos e dificuldades relativos aos imunizantes. Parte dos dados abrange, ainda, o cenário de confiança pós-pandemia Covid-19, como também os aspectos relacionados aos meios de informação e ao combate às fake news sobre o tema.
Entre outros resultados, a pesquisa revelou que 72% dos entrevistados confiam ou confiam muito nas vacinas e 90% acham os imunizantes importantes ou muito importantes para a saúde pessoal, da família e da comunidade. Embora predomine a confiança quanto à segurança, eficácia e benefício das vacinas, os brasileiros ainda têm receio: 21% avaliam como alto o risco de reações das vacinas e 27% afirmam já ter sentido medo de se vacinar ou de levar uma criança ou adolescente para se vacinar. Dos 27% que alegaram ter medo, 66% disseram ter receio de reações ou efeitos colaterais graves.
Além disso, de acordo com a pesquisa, entre as pessoas que se informam sobre saúde e vacinação por meio de redes sociais e whatsapp, uma a cada cinco já decidiram não tomar a vacina ou levar uma criança para se vacinar após ler uma notícia negativa nessas plataformas.
Pacto Nacional pela Consciência Vacinal
O Pacto Nacional pela Consciência Vacinal, lançado em 30 de novembro de 2022, tem como objetivo incentivar uma atuação coordenada e nacional entre o Ministério Público brasileiro, órgãos e entidades envolvidos com a saúde pública. A iniciativa surgiu da preocupação da Comissão da Saúde do CNMP com os baixos índices da cobertura vacinal no Brasil nos últimos anos.
O principal foco é a retomada de índices seguros e homogêneos de cobertura vacinal, em todo o território nacional, por meio da conscientização da população sobre a importância da vacinação, prevista no Programa Nacional de Imunização (PNI). Desde que foi lançada, mais de 170 instituições, públicas e privadas, além de governos de 18 estados já aderiram à iniciativa.
Leia o Estudo sobre a consciência vacinal no Brasil
Acesso o hotsite do Pacto Nacional
Fotos: Comissão da Saúde do CNMP, Leonardo Prado (Secom/CNMP) e Ministério da Saúde.
Matérias relacionadas

