Seu navegador não suporta java script, alguns recursos estarão limitados. Corregedoria Nacional inicia, no MP do Amazonas, o ciclo de debates de 2025 sobre direitos fundamentais - Conselho Nacional do Ministério Público
Corregedoria Nacional
Publicado em 18/2/25, às 12h50.

Ciclo de Debates CN no MPAM 1A Corregedoria Nacional do Ministério Público, vinculada ao Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), iniciou, na segunda-feira, 17 de fevereiro, no Ministério Público do Amazonas (MPAM), o primeiro de uma série de ciclos de debates que serão realizados ao longo de 2025. Os ciclos ocorrem durante as correições ordinárias nas unidades do Ministério Público e visam aprimorar a atuação dos membros do MP em temas como violência doméstica e educação infantil.

O primeiro ciclo de debates deste ano foi realizado no auditório da Procuradoria-Geral de Justiça do Amazonas, logo após a cerimônia de abertura da correição ordinária, e foi transmitido on-line, exclusivamente para as sedes do Ministério Público no interior do estado.

Os debates contam com a presença fixa dos membros auxiliares da Corregedoria Nacional, os promotores de Justiça Cláudia Garcia e João Botega, que atuam como palestrantes e debatedores. Além disso, são convidados membros do Ministério Público local para mediar as discussões, especialmente aqueles que coordenam centros de atuação relacionados aos temas abordados.

Ciclo de Debates CN no MPAM 2Violência de gênero: um problema social

O primeiro debate foi conduzido pela promotora de Justiça Cláudia Garcia, que falou sobre o enfrentamento da violência de gênero. “A violência doméstica não é um problema privado; é uma questão social e estrutural que exige uma atuação firme e coordenada do Ministério Público”, afirmou.

Em sua exposição, ela ressaltou a relevância da adesão do Brasil a tratados e convenções internacionais que asseguram os direitos das mulheres e que combatem a violência de gênero; além da iniciativa do Protocolo de Intenções para mapear os casos de violência contra a mulher no Amazonas e elaborar um plano de ação eficiente.

Cláudia também destacou o desenvolvimento de um manual funcional para membros do MP como guia orientativo para padronizar a atuação no enfrentamento da violência contra a mulher e a implementação do Selo de Respeito e Inclusão no Combate ao Feminicídio, uma iniciativa que busca fortalecer uma cultura institucional de prevenção e enfrentamento da violência de gênero.

Desafios na educação infantil

O segundo debate teve como tema a educação infantil e foi conduzido pelo promotor de Justiça João Botega (primeira foto à esquerda). Ele iniciou sua apresentação citando um trecho da música "Fora de Ordem", de Caetano Veloso, para ilustrar a precariedade na estrutura de creches no Brasil, muitas delas inacabadas, reduzindo a oferta de vagas e comprometendo o futuro das crianças.

De acordo com dados apresentados, há um déficit de 632.763 crianças na fila de espera por uma vaga em creches no país. Botega ressaltou a importância da educação infantil, destacando que crianças que frequentam creches têm o dobro de chances de desenvolver as habilidades adequadas na fase inicial da escolarização. "Não é no futuro, é agora que precisamos atuar", afirmou. De acordo com o promotor, a morosidade na aprovação e repasse de verbas para construção de creches é um processo que pode levar até dois anos.

Botega também enfatizou a necessidade de estabelecer critérios claros de prioridade para o acesso às creches. "Hoje, em muitos lugares, só consegue uma vaga quem entra com ação judicial, e isso gera um problema grave: acaba beneficiando apenas as famílias que têm informação e acesso ao sistema de Justiça, enquanto muitas outras, que sequer sabem que podem recorrer, ficam para trás", afirmou. Segundo ele, esse modelo reforça desigualdades e impede que a política pública atenda a quem mais precisa.

Para enfrentar essa situação, a Corregedoria Nacional do MP abraçou o projeto "Primeiros Passos", lançado pelo presidente do CNMP, Paulo Gonet, a fim de ampliar o acesso à educação infantil de forma estruturada e qualificada. A iniciativa prioriza três eixos de atuação: a expansão das vagas em creches, a implementação de serviços de família acolhedora e o enfrentamento da violência infantil.

Saiba mais sobre os ciclos de debates

Os ciclos ocorrem durante as correições ordinárias nas unidades do Ministério Público e visam aprimorar a atuação dos membros do MP em temas como violência doméstica e educação infantil.

A previsão é de realização de até 13 ciclos de debates, sendo seis deles ainda no primeiro semestre deste ano. De acordo com o corregedor nacional do Ministério Público, Ângelo Fabiano Farias Costa, além de focar em temas sensíveis como violência doméstica, o ciclo de debates se debruçará no estímulo a atuação ministerial para a fiscalização de obras inacabadas em creches e pré-escolas.

A dinâmica do evento inclui uma mesa de abertura com os palestrantes e mediadores, seguida por apresentações de aproximadamente 30 minutos sobre cada tema. Na sequência, o espaço é aberto para debates e questionamentos dos participantes.

Os eventos são sempre voltados a membros e servidores das unidades do Ministério Público correcionadas e são realizados de forma presencial. A transmissão virtual é opcional e depende da unidade organizadora, que pode utilizar plataformas como o Teams.

No fim deste ano, está prevista a publicação de um manual de atuação, consolidando os aprendizados e discussões promovidos ao longo dos ciclos de debate. 

Fotos: Hirailton Gomes (MPAM)
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Com informações e fotos da Comunicação do MPAM