Seu navegador não suporta java script, alguns recursos estarão limitados. No Fórum de Lisboa, Gonet defende atuação integrada no combate ao crime organizado - Conselho Nacional do Ministério Público
CNMP
Publicado em 4/7/25, às 13h34.

 Gonet em Lisboa3 1O presidente do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), Paulo Gonet, defendeu a integração dos entes federativos e o fortalecimento dos Grupos de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaecos) como estratégias essenciais para enfrentar a corrupção sistêmica, facções criminosas, tráfico de drogas e lavagem de dinheiro. A fala ocorreu nesta sexta-feira, 4 de julho, durante a 13ª edição do Fórum de Lisboa, promovido, em Portugal, pela Fundação Getúlio Vargas, pela Faculdade de Direito de Lisboa e pelo Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa.

Gonet participou do painel “Segurança pública e federalismo cooperativo: enfrentando as organizações criminosas”, no qual falou sobre a atuação do Ministério Público e combate ao crime. O secretário-geral do CNMP, Carlos Vinícius Ribeiro (no centro da foto à direita), também participou do evento, realizando a moderação do painel “Entre fatos e algoritmos: jornalismo, checagem de fatos e deepfakes na era da IA”, na quarta-feira, 2 de julho. Imagem do WhatsApp de 2025 07 04 às 13.32.22 c00ced29

Durante a palestra, o presidente do CNMP destacou que os Gaecos atuam em casos complexos e articulam ações com forças de segurança locais. Segundo ele, o avanço tecnológico e a atuação transnacional das redes criminosas exigem métodos mais atualizados de combate. “É necessário investir em inteligência e asfixia financeira, estratégias que se revelam entre as mais eficazes no enfrentamento da criminalidade organizada”, afirmou.

Gonet alertou para a infiltração do crime organizado em setores econômicos como combustíveis, transporte público, serviços, mercado imobiliário e financeiro. Mencionou ainda o chamado "fator PCC" como um novo risco para o sistema financeiro e a instauração de uma economia paralela. Segundo ele, facções criminosas movimentam cerca de 300 bilhões de dólares e operam em redes transnacionais, o que exige técnicas de abordagem atualizadas e eficientes, diferentes daquelas aplicadas à criminalidade comum.

A ameaça crescente dos crimes cibernéticos foi outro ponto ressaltado por Gonet. O Brasil, disse ele, ocupou a quinta posição no ranking mundial de ataques virtuais em 2024, com 1.379 registros e prejuízos estimados em 10 bilhões de dólares.

Cooperação

Imagem do WhatsApp de 2025 07 04 às 13.40.23 8d13cdc0Na apresentação durante o Fórum, o presidente do CNMP também destacou a importância do compartilhamento dos relatórios de inteligência financeira produzidos pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), que somam 18.762 apenas neste ano. Ele defendeu a constitucionalidade desse compartilhamento com o Ministério Público sem necessidade de autorização judicial prévia, desde que feito por meios formais.

Sobre cooperação internacional, Gonet (no centro da foto à esquerda) citou que o acordo entre o Ministério Público Federal e a Procuradoria-Geral da República de Portugal permite trocas imediatas de informações entre os dois países, agilizando providências.

Além disso, ele afirmou que o Ministério Público apoia, com entusiasmo, a proposta de emenda à Constituição sobre o federalismo cooperativo, idealizada pelo ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski. Para Gonet, a proposta é um avanço para superar barreiras estaduais e permitir um esforço coordenado no combate ao crime.

O enfrentamento às organizações criminosas está entre as prioridades da atual gestão do CNMP, ao lado de iniciativas voltadas à melhoria estrutural do sistema de Justiça e à proteção da primeira infância. Ao encerrar a apresentação, o presidente Paulo Gonet reforçou que o combate ao crime deve ser feito com vigor, mas pautado pelo respeito aos direitos fundamentais e à dignidade da pessoa humana.

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